Antes do CicloFest Rural: uma rota vivida com a Triskel Bike
Em 2021, Lica nos convidou a percorrer em primeira mão uma rota que preparava para o CicloFest Rural. Entre bicicleta, fotografia e encontros em São Pedro de Alcântara, a Triskel Bike me deu uma experiência que continuo guardando com carinho.
Algumas experiências ficam guardadas pela paisagem. Outras permanecem por causa das pessoas que nos ensinaram a olhar para ela. Quando penso na cicloviagem por São Pedro de Alcântara, lembro das duas coisas. Lembro das estradas rurais, das subidas, das casas, dos animais, dos produtores que nos receberam. E lembro principalmente de Lica, conduzindo o grupo por um roteiro que ainda estava ganhando forma.
Era 2021. A Lica, da Triskel Bike, preparava uma experiência para o CicloFest Rural e nos convidou a conhecê-la em primeira mão. Éramos Gi, Sara Koenig, Maria, Nelton Menezes, Andréa da Costa, Gabriel Cortes, Lalas, Fernanda e eu, com Lica conduzindo o grupo. Havia um privilégio bonito naquele convite: percorrer uma rota antes de ela se tornar evento, quando cada parada ainda servia para observar, conversar e entender o que o caminho poderia oferecer.
Uma rota feita de relações
A Triskel Bike sempre me pareceu nascer desse cuidado. Lica conhece a região pedalando, mas também conversando. Ela aproxima ciclistas, moradores, agricultores, cozinhas, hospedagens e pequenos negócios. O desenho da rota acontece nessas relações. A bicicleta estabelece o ritmo necessário para percebê-las.
São Pedro de Alcântara está a poucos quilômetros de Florianópolis, mas a mudança de escala é imediata. O asfalto cede lugar à terra, ao cascalho e à lama. Igrejas, casarões e pequenas propriedades aparecem entre uma subida e outra. O percurso nos levava pela paisagem e, ao mesmo tempo, para dentro da vida de quem mora e produz ali.
Fotografar enquanto pedalava me colocou numa posição particular. Eu fazia parte do grupo, sentia o esforço das subidas e precisava acompanhar o movimento, mas também buscava distância suficiente para perceber as cenas. A câmera registrou a arquitetura, os gestos e as pausas. Hoje, ela também me devolve o clima daquela convivência.
O caminho também passava pela mesa
Uma das paradas foi no Cogumelos da Mata. Ali encontramos gente como Fani e Emílio, que nos receberam entre o cultivo, a mesa e a conversa, assim como outros nomes que foram aparecendo ao longo do caminho: Gustavo, André, Vini, Carlinhos, Zé Folia, Demirco Lopes e família, Aline e as pessoas que sustentavam aqueles lugares por onde passávamos. A rota deixava claro que cicloturismo também pode sustentar trocas concretas com o território: chegar, escutar, comer, comprar e seguir carregando uma história.
Essa combinação entre esforço físico, curiosidade e hospitalidade dava unidade aos dias. Havia cansaço, roupa suja e bicicleta coberta de barro. Havia também tempo para conversar, rir e descobrir o trabalho de gente que normalmente passaria fora do enquadramento de uma viagem apressada.
Quando o ensaio virou CicloFest Rural
Depois daquele reconhecimento, tivemos o prazer de voltar para o evento. O que havíamos experimentado como um grupo próximo passou a receber outras pessoas. Ver o CicloFest Rural acontecer deu outra dimensão ao trabalho anterior da Lica: as conversas, os testes de percurso e a escolha das paradas agora formavam uma experiência compartilhada.
Parte dessas imagens circulou nas publicações da Triskel Bike e, mais tarde, no texto Uma Cicloviagem de Tantos Encantos: São Pedro de Alcântara. No relato, Andréa da Costa escreveu sobre a experiência interior daquele pedal; Lica apresentou a cidade, sua agricultura familiar e o compromisso com um cicloturismo responsável. Ali também ficaram registrados os nomes de quem compôs aquela turma inicial: Gi, Sara, Maria, Nelton, Gabriel, Lalas, Fernanda e eu. Minhas fotografias ficaram como testemunho visual desse encontro.
Rever esse material tantos anos depois faz aparecer algo que talvez eu não soubesse nomear naquele momento. A Lica não estava apenas apresentando um trajeto. Ela criava condições para que pessoas de fora entrassem em contato com a região sem reduzi-la a cenário. A bicicleta conectava os pontos; o cuidado dela dava sentido ao percurso.
Guardo essa experiência com muito carinho porque ela reuniu coisas importantes para mim: fotografia, estrada, convivência e a chance de conhecer um lugar pela mediação de alguém profundamente ligado a ele. Sou grato à Lica pelo convite, pela condução e pela confiança nas imagens. Sempre que volto a essas fotografias, encontro a alegria de ter participado enquanto a rota ainda estava sendo desenhada.
Imagens adicionais
As publicações da Triskel Bike guardaram outros recortes da experiência, em grande parte fotografados pela própria Lica. São anotações visuais da saída, das paradas e dos lugares que formaram o roteiro. Aqui elas aparecem ao final, preservadas em seus enquadramentos originais.
Registros da experiência
- Relato completo no blog da Triskel Bike
- Publicação da Triskel Bike em setembro de 2021
- Segundo registro da viagem
- Terceiro registro da viagem
- Quarto registro da viagem
- Quinto registro da viagem
- Registro posterior do CicloFest Rural
- Memória publicada pela Triskel Bike
- Primeira parada para descanso
- Grupo no Refúgio da Mata
- Chegada a Florianópolis