Antes de ler A política sexual da carne
Cheguei a A política sexual da carne, de Carol J. Adams, depois de dividir com minha companheira uma intuição que já vinha me rondando: pessoas alinhadas à…
Cheguei a A política sexual da carne, de Carol J. Adams, depois de dividir com minha companheira uma intuição que já vinha me rondando: pessoas alinhadas à esquerda, comprometidas com pautas antirracistas, feministas, anticoloniais, anticapitalistas, ambientalistas e até espirituais, deveriam ao menos se aproximar com seriedade do veganismo.
Penso nisso porque o veganismo desloca o ser humano do centro e nos obriga a considerar seres que sofrem sob um sistema montado para que eles quase nunca possam responder. É difícil olhar para tantas formas de violência, domínio e desumanização entre pessoas sem notar algum parentesco com a maneira como naturalizamos confinamento, exploração e morte de outros animais.
Há aí uma incoerência que a esquerda, sobretudo quando fala em justiça e libertação, talvez ainda enfrente pouco. Escrevo isso como convite, não como sentença pronta. Ainda vou ler o livro e outros textos sobre o tema, mas a intuição já me parece forte o bastante para ganhar lugar aqui.