GitHub Copilot, contexto e o que ficou do workshop na FIAP
Um relato sobre o GitHub Copilot Dev Days São Paulo e a ideia de que, no desenvolvimento com IA, contexto importa tanto quanto o modelo.
No sábado, 11 de abril de 2026, participei do GitHub Copilot Dev Days São Paulo, realizado na FIAP. Estive na trilha de Python e acompanhei o workshop conduzido por Renato Romão de Souza, Enrico Ferraz e Mayumi Shingaki, com foco no uso do GitHub Copilot no Visual Studio Code. Foram poucas horas, mas suficientes para deixar uma impressão mais nítida do que realmente importa nesse tipo de ferramenta.
O ponto mais interessante não estava exatamente na promessa de velocidade. Estava no modo como o Copilot é organizado para operar com mais contexto e menos improviso. Na documentação do Visual Studio Code, isso aparece de forma direta em cinco elementos: custom instructions, agent skills, custom agents, MCP servers e hooks. Lidos em sequência, esses elementos dizem menos sobre uma interface específica e mais sobre uma maneira de estruturar o trabalho.
O que apareceu com mais clareza
Na documentação do VS Code, essa lógica fica mais nítida quando olhamos para sete camadas de customização do Copilot: Agents, Skills, Instructions, Prompts, Hooks, MCP Servers e Plugins.
Instructions ajudam a IA a responder de acordo com as convenções do projeto. Skills transformam capacidades em algo reutilizável. Agents permitem separar papéis com mais nitidez. Prompts condensam tarefas recorrentes em comandos mais legíveis. MCP Servers ampliam o alcance operacional dessas ferramentas. Plugins empacotam essas customizações em conjuntos mais fáceis de distribuir. E Hooks, por fim, aproximam a automação de regras, políticas e eventos concretos do fluxo de desenvolvimento.
Nada disso é especialmente interessante por si só. O interesse aparece quando se percebe o conjunto. O Copilot passa a ser menos um mecanismo de sugestão solta e mais uma peça dentro de um sistema de contexto, ferramentas e instruções.
Uma lógica que vai além do ecossistema Microsoft
Talvez tenha sido esse o principal aprendizado do encontro. Essa lógica não parece restrita ao GitHub ou ao Visual Studio Code. Claude, Qwen, Gemini, Codex, GLM, Kimi, Mistral, Grok e DeepSeek, assim como IDEs como Cursor, Antigravity, Windsurf e o próprio VS Code, cada um à sua maneira, vêm operando a partir de uma estrutura parecida: contexto bem definido, papéis explícitos, acesso a ferramentas e alguma forma de memória ou continuidade operacional.
Por isso me parece razoável dizer que há um alinhamento mais amplo entre ferramentas de desenvolvimento agêntico. Não porque sejam idênticas, mas porque compartilham a mesma hipótese: o resultado melhora quando a IA deixa de atuar como um palpite isolado e passa a operar dentro de um arranjo mais disciplinado.
O valor de estar no espaço físico
Também foi muito bom poder conversar com outras pessoas e tirar dúvidas pessoalmente. Eventos assim ajudam a dar corpo a discussões que, à distância, muitas vezes permanecem abstratas. Há uma diferença importante entre ler sobre essas ferramentas e observar como elas são apresentadas, testadas e compreendidas em conversa com outras pessoas. A organização de Cynthia Zanoni também contribuiu para isso.
Saí da FIAP pensando no tipo de organização que essas ferramentas pedem. Talvez esse tenha sido o ponto mais claro do workshop: a novidade chama atenção, mas é o método que sustenta o trabalho.